Diego Souza é suspenso 360 dias e multado em R$ 20 mil pelo TJD

Redação NC Sports
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Esportes

Diego Souza enfrenta punição severa por uso de licença falsa, enquanto Joinville nomeia novo treinador.

O técnico do Joinville, Diego Souza, foi condenado a 360 dias de suspensão e ao pagamento de multa de R$ 20 mil pelo Tribunal de Justiça Desportiva de Santa Catarina (TJD-SC) por usar uma licença falsa de treinador. A decisão, tomada por unanimidade, mantém o ex-jogador afastado do comando à beira do campo por praticamente um ano e pressiona o clube a se reorganizar, com o auxiliar Raphael Bahia assumindo o time.

Diego já cumpriu 20 dias e promete recorrer

Diego Souza está suspenso preventivamente desde 23 de outubro e já cumpriu 20 dias de afastamento, restando agora 340 dias da pena aplicada pelo TJD-SC. A multa de R$ 20 mil deve ser paga em até 15 dias. O julgamento terminou em placar de 3 a 0 pelos auditores do tribunal.

A denúncia foi apresentada pela Procuradoria da Justiça Desportiva catarinense, com base no artigo 234, parágrafo 1º, do Código Brasileiro de Justiça Desportiva, que trata da utilização de documento falso ou irregular. A defesa do treinador anunciou que vai recorrer ao Pleno do próprio TJD-SC e, depois, ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), o que ainda pode alongar a disputa nos tribunais esportivos.

Mesmo suspenso, Diego seguirá no dia a dia do Joinville, mas sem funções técnicas à beira do gramado. O clube definiu que o auxiliar Raphael Bahia comandará o time nas partidas oficiais enquanto durar o afastamento.

Como funcionava o esquema de licenças falsas de treinador?

O caso de Diego Souza é parte de uma investigação mais ampla sobre um esquema de venda de diplomas falsos de treinador, atribuído ao ex-jogador argentino Alejandro Mancuso. Segundo o próprio Diego, ele recebeu em 2023 a oferta de uma licença rápida, sem precisar cumprir o processo normal de formação, em um “procedimento especial” vendido por Mancuso por cerca de R$ 100 mil.

Em depoimento, Diego contou que não frequentou aulas nem participou de curso algum. Mesmo assim, recebeu um diploma atribuído à Associação de Técnicos do Futebol Argentino (ATFA), que teria validade para registro em entidades como CBF e Conmebol. Em áudios enviados a Diego à época, Mancuso exaltava a suposta seriedade do serviço e citava outros jogadores conhecidos como referência.

“Irmão, deixa eu te explicar o procedimento da licença. Todos que já fizeram é do mesmo jeito, tudo igual. Se você conhece Paulinho, Felipe Melo, Nenê, pergunta para eles como nós trabalhamos. Nós trabalhamos muito sério, profissional 100%”, diz Mancuso em uma das gravações. Ele afirmava que essas “licenças urgentes são só para feras” e pedia documentos pessoais para dar entrada na federação argentina.

Entenda o contexto

A suspeita de fraude estourou quando a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) cancelou o registro de Diego como treinador após checagens com entidades internacionais. A ATFA comunicou que não havia qualquer registro acadêmico em nome de Diego no curso indicado no diploma apresentado. A associação ainda apontou inconsistências nas datas do documento e na assinatura atribuída ao secretário-geral.

A Conmebol também informou que não encontrou licença válida em nome de Diego Souza, o que reforçou a tese de que o certificado era fraudulento. A partir daí, o caso chegou ao TJD-SC, que abriu processo, suspendeu o treinador preventivamente e, agora, confirmou a punição por unanimidade.

O episódio coloca sob pressão a própria estrutura de licenciamento de treinadores no continente, envolvendo diretamente ATFA, CBF e Conmebol, que já discutem a necessidade de reforçar a checagem de documentos e o cruzamento de bancos de dados.

Impacto no Joinville e na carreira do treinador

A suspensão de 360 dias tira Diego Souza da área técnica em um momento decisivo para o Joinville, que disputa competições estaduais e planeja o calendário da próxima temporada. Sem o treinador à beira do campo, caberá ao auxiliar Raphael Bahia conduzir a equipe em jogos e treinos oficiais, com o clube tentando manter Diego em funções internas.

Para o ex-jogador, a condenação representa um duro baque no início da trajetória como técnico. A punição mancha a imagem de um profissional recém-chegado à função e limita sua atuação no futebol profissional pelo próximo ano, ainda que recursos possam reduzir ou reverter a pena.

Durante o julgamento, Diego se emocionou ao relatar como foi abordado por Mancuso e disse ter se sentido enganado. “Me sinto até envergonhado por essa situação toda. Eu mandei um e-mail para a CBF na mesma hora alegando que poderia ter caído num golpe e ter sido uma situação de uma licença falsa”, afirmou o técnico.

O caso deve ter desdobramentos além de Santa Catarina. A exposição do esquema liderado por Mancuso abre espaço para novas investigações sobre outros profissionais que possam ter adquirido licenças semelhantes, com possíveis punições e revisão de registros em diferentes clubes e federações da América do Sul.

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